Chamo-me Maria, tenho 34 anos, e três filhos, todos em idade escolar; sou divorciada e recentemente fiquei sem trabalho. Embora ame incondicionalmente os meus filhos, desde o nascimento do Mário, o meu primeiro filho, tenho-me sentido muito preocupada e stressada. Quatro anos após o nascimento do meu filho, fui mãe de duas meninas, a Matilde e a Mónica.

A adaptação à rotina com três crianças foi um fator com muito impacto na qualidade do meu sono. Comecei a ter noites mal dormidas e uma preocupação exagerada com o bem-estar dos meus filhos. O tempo foi passando e comecei a sentir cada vez maior conforto em casa em vez dos habituais convívios com família e amigos. Comecei também a evitar a interação com novas pessoas porque temia que ficar constrangida e acabar por ser criticada por “não saber estar”.

Mas tudo piorou quando comecei a pensar que quanto piores fossem as minhas noites de sono, menor seria a minha capacidade para cuidar dos meus filhos e ajudá-los nas suas rotinas.

Criar os meus filhos passou a ser uma tarefa muito difícil para mim, especialmente porque o período da manhã exigia que eu estivesse muito desperta e, durante pelo menos meia hora depois de me levantar, sentia-me desorientada e confusa, o que dificultava preparar as crianças para irem à escola. Ao longo do dia, apesar da ligeira melhoria da minha condição, nunca me sentia realmente bem.

Dormia muito menos do que todas as pessoas que conhecia, pois, normalmente, dormia no máximo 5 horas por noite e algumas vezes ainda acordava a meio da noite porque algum dos meus filhos precisava de mim. 

Durante o dia, sempre que estava a ver televisão com as crianças, adormecia muito facilmente. Com medo de adormecer ao volante deixei de conduzir. E uma vez adormeci no sofá e a chama do fogão pegou fogo a um pano de cozinha e esse episódio deixou-me muito preocupada.  Foi decisivo para que eu deixasse de fazer muitas tarefas com medo de que alguma coisa acontecesse.

Até que decidi pedir ajuda ao meu médico de família que, por sua vez, me encaminhou para uma consulta de psiquiatria onde me diagnosticaram insónia secundária a perturbação de ansiedade. De seguida, fui encaminhada para equipa do SIM e em conjunto definimos uma estratégia para eu readaptar as minhas rotinas de forma a promover bons hábitos de sono através de um conjunto de comportamentos adequados. Ou seja, adquiri um horário regular para dormir e acordar, retirei os cafés após a hora do almoço, reduzi o uso do telemóvel e televisão no quarto, passei a fazer mais refeições ligeiras ao jantar e comecei a fazer alguns exercícios de relaxamento antes de me deitar.

Quando consegui implementar tudo isto comecei, a sentir-me muito melhor. Inclusive, até já convidei a minha irmã para umas caminhadas diárias ao ar livre. Voltei a ter vontade sorrir, que bom!

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