Chamo-me Carla, tenho 26 anos, considero-me uma pessoa muito sociável e com objetivos de vida bem definidos. Terminei recentemente o meu mestrado em Línguas e Relações Empresariais e de imediato fui à procura de emprego na minha área de formação. Mas após alguns meses sem conseguir concretizar o meu objetivo, decidi arranjar um part-time como lojista, admitindo que seria algo temporário.

Com o passar do tempo, perdi a conta à quantidade de currículos que enviei e às entrevistas a que já fui. Comecei a sentir o desânimo a apoderar-se de mim e a falta de esperança no meu futuro foi crescendo. Os momentos de preparação para as entrevistas, que até então eram encarados como momentos de prazer e desafio, passaram a ser grandes fardos e momentos de tristeza.

A confiança nas minhas capacidades foi substituída pelos nervos e inseguranças.

Os meus pais não compreendiam a razão pela qual eu não conseguia um emprego na minha área e começavam a dizer-me que não podia continuar a viver com um part-time e na casa deles. A minha frustração foi aumentado e cada vez que tinha uma entrevista marcada passava a noite anterior em claro. De manhã era comum não conseguir comer e nos dias em que a minha mãe insistia acabava por vomitar.

Sempre que alguém falava no assunto, sentia o meu coração a acelerar de tal forma que chegava a sentir uma dor no peito.

Com o tempo, já não era necessário falar no assunto ou ter uma entrevista… Tinha dores no peito constantemente, as noites eram quase todas mal dormidas, não tinha apetite e vomitava sem razão aparente.

Por mais que as minhas amigas me tentassem ajudar, eu não permitia. Fechei-me no meu mundo e não falava com ninguém sobre o que sentia. Todo este mal estar era tão incapacitante que deixei de me sentir capaz de continuar esta jornada de procura de emprego.

A situação estava cada vez pior, passei a ter ataques de ansiedade nos quais o coração batia muito rápido, a respiração ficava muito acelerada, as dores no peito mais fortes e uma sensação de formigueiro no corpo insuportáveis. Pensei que ia morrer. Estava constantemente nervosa e a sentir que a minha vida estava parada, não aguentava mais. Decidi pedir ajuda à minha melhor amiga, e ela falou-me do SIM.

A partir desse momento tudo mudou. Receberam-me e foi desenhada uma estratégia de tratamento para mim. Inicialmente, foi feita articulação com o centro de saúde e, posteriormente, fui encaminhada para uma consulta de psiquiatria para me ajudarem, naquela fase aguda, a controlar os sintomas de ansiedade. Mais tarde, foi revista a estratégia de forma a diminuir os sintomas manifestados.

Aprendi a realizar exercícios de respiração para controlar melhor a minha ansiedade e a fazer exercícios de relaxamento todos os dias quando acordo de forma a sentir-se mais calma para enfrentar o dia. Foram também trabalhadas comigo algumas técnicas que me ajudam muito a nível emocional.

Hoje sei o que é a ansiedade e consigo controlar os meus sintomas de forma a lidar com os desafios do dia-a-dia e continuar a lutar pelos meus objetivos. Já voltei à procura do meu emprego de sonho e acredito que o vou encontrar.  

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