Entre o silêncio e o grito: Adolescência (des)complicada

Recebo naquela tarde fria e cinzenta o olhar vazio de uma mãe… Carregava na sua voz trémula um sofrimento silencioso que não aguentava conter. Sentou-se e, dominada pela ânsia de decifrar o filho, a quem aqui chamo de Carlos, e a sua conturbada adolescência, descarregou culpas, medos e indagações, num ato de coragem e de alívio…

Descreveu-o com uma adjetivação quase perfeita de quem recolhe com os olhos os mais ínfimos pormenores e os guarda com palpitações inquietas. Descreveu o isolamento, o tédio, os ataques de raiva, a falta de comunicação e as palavras feias, a sua reclusão no quarto e as saídas misteriosas.

Onde se refugiou o menino sonhado? Em que caminho se perdeu? Como poderá ser resgatado?

Numa tentativa inusitada, mas pretensiosa e promissora declarei: “Fale-me de si.” Invadida por um misto de estranheza e contentamento e coroada por um eco ao pedido lançado assisti, então, ao desabar de um mar de mágoas e ressentimentos. Sim, ela estava triste, mais do que isso, infeliz e assustada. A sua vida era repleta de “coisas para fazer” mas vazia de afetos.

Quase não se cruzava com o marido, deslocada da sua cidade natal, amargurada por horas sofridas num trabalho que a sufocava e incapaz de entender o menino loiro de olhos cor de céu que tanto amou (e ama!). Perdera-se… talvez também ele andasse confuso no labirinto complexo que exige compatibilizar, mais do que horários e compromissos, tempo para estar! … Tempo, esse precioso vernáculo que nos atraiçoa e que nos faz vacilar entre o melhor e o pior das nossas vidas.

Quando terminou, sugeri: “Procure o Carlos! Encontrá-lo-á no último abraço oferecido”.

 

A complexidade de mudanças que os jovens experimentam na adolescência (físicas, psicológicas, hormonais e sociais) concorrem para que a sua comunicação   esteja mais facilitada com os amigos da mesma idade do que com os pais.

Por esse motivo, aqui estão algumas dicas para colocar em prática nas conversas com adolescentes:

  • Seja razoável e mantenha sua posição: é importante ser razoável e deixar que o jovem expresse as razões pelas quais infringiu ou quer infringir uma regra. Por exemplo, se ele pedir permissão para chegar a casa depois do horário estabelecido numa data específica e os pais decidirem autorizar, estarão a ser razoáveis e não simplesmente a ceder a uma insistência. Para reforçar esse cenário, recomenda-se reunir a família para negociar as regras, especificamente o horário estabelecido para chegar a casa. De igual forma, devem ser avaliados os fatores antes de se tomar uma decisão. Isso mostra ao adolescente que os pais estão dispostos a ceder se nenhuma regra for violada;
  • Seja assertivo: terá a possibilidade de defender os seus direitos e expressar a sua opinião sem ofender o jovem ou permitir que ele o ofenda. Privilegie a negociação em que ambas as partes fiquem satisfeitas com os resultados. Ao tomar uma atitude assertiva aumentará as probabilidades de alcançar o objetivo desejado. O adolescente sentir-se-á mais calmo e seguro porque sente que é ouvido e que as suas opiniões e sentimentos também são importantes.
  • Seja um bom exemplo: Para isso, deve ter muita paciência, compreensão, e dar o exemplo com a palavra. A melhor maneira é ser um modelo exemplar quando precisar conversar com o jovem sobre um assunto que o preocupa. Nesta fase, os jovens começam a amadurecer em todos os sentidos e vivem numa luta contínua para se tornarem independentes dos pais. É comum quererem passar mais tempo com os amigos, deixando a família em segundo plano. Portanto, recomenda-se que os pais enfatizem o envolvimento dos jovens na tomada de decisões da família. É importante ter em conta a opinião do jovem para que as decisões sejam tomadas em conjunto.
  • Escolha um local e horário adequados: ao considerar que o seu filho está com um problema, é essencial escolher um horário e um local em que possam conversar tranquilamente, sem interrupções. Se estiverem relaxados será possível iniciar uma conversa assertiva. Inicie o assunto pela descrição do problema de maneira simples e direta. Fale sobre como se sentiu perante o comportamento dele, mas sem julgar de forma direta a sua personalidade. Corrija apenas o comportamento. Assim, deve deixar claro o que ele fez que o incomodou, e não a sua personalidade.

 

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