Anorexia – Quando comer se torna um problema

A anorexia nervosa insere-se no grupo das Perturbações do Comportamento Alimentar. Trata-se de uma doença mental grave e potencialmente fatal, que se carateriza pela restrição rígida da ingestão de alimentos e se associa a altas taxas de mortalidade, suicídio e diminuição da qualidade de vida (Cruz, Coutinho, Brandao, & Freitas, 2018; Mehler & Brown, 2015; Uniacke, Timothy Walsh, Foerde, & Steinglass, 2018).

A grande maioria das pessoas que sofrem desta doença são mulheres jovens (adolescentes ou jovens adultos). O risco aumenta se tiverem histórico de depressão, ansiedade ou perturbação obsessivo-compulsivo, bem como familiares com este tipo de doença mental. Para além disso, algumas caraterísticas pessoais podem contribuir para o aparecimento do problema, nomeadamente baixa-autoestima, sobrevalorização da imagem pessoal, rigidez de pensamento em relação à comida e problemas da sua vida ou dificuldades em lidar com a pressão ou stress (Uniacke et al., 2018).

Alguns sinais de alarme incluem: perder muito peso; recusar-se a comer alguns alimentos ou determinados grupos de alimentos; mudar hábitos alimentares e/ou ser obcecado por comida, calorias ou dietas; medo intenso de ganhar peso; negar que tem fome ou está com baixo peso; fazer demasiado exercício físico; hábitos alimentares estranhos ou rituais alimentares; vomitar para perder peso; estar deprimido ou irritado e isolar-se da família e/ou amigos (Misra, Shulman, & Weiss, 2013).

Um estudo português, publicado em 2018, concluiu que as hospitalizações em Portugal por causa desta problemática quase duplicaram na última década, contrariamente à prevalência das outras perturbações do comportamento alimentar que se mantêm estáveis (bulimia nervosa, vómito psicogénico, pica, etc.). Segundo esta investigação, entre 2000 e 2015, registaram-se cerca de 4500 hospitalizações e 25 mortes por anorexia nervosa (Cruz et al., 2018). De facto, a anorexia está entre as doenças psiquiátricas mais letais, não só pelo maior risco de suicídio, como pelas muitas complicações de saúde que surgem na sequência da perda de peso e desnutrição (Mehler & Brown, 2015).

Contudo, o tratamento existe e é multidisciplinar (Lutter, 2017). Quanto mais precocemente o problema for detetado e mais cedo iniciado o tratamento, melhor será o prognóstico.

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Referências bibliográficas

Cruz, G.-P. S., J. V., Coutinho, F., Brandao, I., & Freitas, A. (2018). Eating disorders-Related hospitalizations in Portugal: A nationwide study from 2000 to 2014. Int J Eat Disord. doi: 10.1002/eat.22955

Lutter, M. (2017). Emerging Treatments in Eating Disorders. Neurotherapeutics, 14(3), 614-622. doi: 10.1007/s13311-017-0535-x

Mehler, P. S., & Brown, C. (2015). Anorexia nervosa – medical complications. J Eat Disord, 3, 11. doi: 10.1186/s40337-015-0040-8

Misra, M., Shulman, D., & Weiss, A. (2013). Fact sheet. Anorexia. J Clin Endocrinol Metab, 98(5), 35a-36a. doi: 10.1210/jcem.98.5.zeg35a

Uniacke, B., Timothy Walsh, B., Foerde, K., & Steinglass, J. (2018). The Role of Habits in Anorexia Nervosa: Where We Are and Where to Go From Here? Curr Psychiatry Rep, 20(8), 61. doi: 10.1007/s11920-018-0928-5

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