Saúde mental no trabalho

O local de trabalho representa uma parte muito importante da vida de cada pessoa pois é onde passamos muito do nosso tempo, onde obtemos os rendimentos para gerirmos a nossa vida e, muitas vezes, onde fazemos nossos amigos.

E, se por um lado, o trabalho pode ser protetor para a saúde mental e bem-estar geral, por outro pode também potenciar o desenvolvimento de um problema de saúde mental ou agravá-lo caso já exista.

Se tivermos em consideração que cerca de 25% da população experienciará uma doença mental ao longo da vida, as estatísticas permitem-nos afirmar que, aproximadamente, 1 em cada 6 trabalhadores apresenta um diagnóstico psiquiátrico em cada ano de trabalho (Mental Health Foundation, 2016).

Em Portugal, segundos dados de 2016 da Ordem dos Psicólogos e da Associação Portuguesa de Psicologia da Saúde Ocupacional, estima-se que cerca de 14% dos profissionais no ativo em Portugal sofram de burnout e 82% estejam em risco elevado de exposição à doença (Mateus, 2019).

Com efeito, de uma forma geral, os problemas de saúde mental mais comuns relacionados com o trabalho e que requerem muitas vezes baixa por motivos de doença são: depressão, ansiedade e burnout. De entre os diversos fatores de risco existentes, destacam-se aspetos psicológicos do empregado e caraterísticas da entidade empregadora, nomeadamente: falta de competências, períodos de trabalho longos; pressão excessiva; competitividade extrema; precariedade; pouco controlo sobre o emprego; impossibilidade de participar na tomada de decisões; apoios sociais deficitários; desequilíbrio entre o esforço e recompensa, entre outros (Mental Health Foundation, 2016; Rajgopal, 2010).

Desta forma, vários estudos têm demonstrado que existe, de facto, uma relação causal forte entre as caraterísticas do trabalho e o aparecimento de uma perturbação mental. Assim, é possível afirmar-se, com base nas investigações, que o risco de desenvolver depressão ou uma perturbação da ansiedade é significativamente maior, quanto maiores forem as exigências e o stress no local de trabalho. Em contrapartida, locais de trabalho com altos níveis de bem-estar mental são mais produtivos (Stansfeld, Fuhrer, Shipley, & Marmot, 1999; Wang, 2005).

Está demonstrado que abordar a saúde no trabalho aumenta a produtividade em até 12% e que “funcionários felizes são menos propensos a deixar a organização” (Marks, 2016). Empregados em locais de trabalho psicologicamente saudáveis tendem a experimentar maior satisfação geral, melhor saúde física e mental, maior motivação e capacidade de gerir o stress mais eficazmente (Mental Health Foundation of New Zealand, 2016). Contrariamente, absentismo, rotatividade dos colaboradores e presentismo (trabalhar mais do que o necessário ou contratualizado, mas sem produtividade, relacionado com saúde débil) são consequências da doença mental no local de trabalho (Hassard & Cox, 2014).  

Para além disso, o estigma em relação à doença mental (quer das pessoas doentes, quer da entidade empregadora e colegas de trabalho) constitui um grande obstáculo à procura de ajuda, ao acesso a cuidados de saúde mental adequados, bem como à manutenção de um emprego satisfatório.

Urge saber identificar sinais e sintomas de mal-estar psicológico por parte dos empregados e entidades empregadoras e apoiar formas de orientação e tratamento; adotar estratégias organizacionais e pessoais que contribuam para um ambiente de trabalho salutar e implementar medidas e campanhas anti-estigma nas empresas (Mental Health Foundation of New Zealand, 2016).

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Referências:

Hassard, J., & Cox, T. (2014). Mental Health at work.

Marks, N. (2016). Why happiness.   Retrieved 22/02/2019, from http://www.happinessworks.com/why-happiness/#fn-2

Mateus, C. (2019). Empresas perdem mais de €300 milhões/ano com exaustão dos trabalhadores, Expresso. Retrieved from https://expresso.pt/dossies/diario/2019-01-17-Empresas-perdem-mais-de-300-milhoes-ano-com-exaustao-dos-trabalhadores

Mental Health Foundation. (2016). Added value: Mental health as a workplace asset   Retrieved from https://www.mentalhealth.org.uk/publications/added-value-mental-health-workplace-asset

Mental Health Foundation of New Zealand. (2016). Working well – a workplace guide   

Rajgopal, T. (2010). Mental well-being at the workplace. Indian J Occup Environ Med, 14(3), 63-65. doi: 10.4103/

Stansfeld, S. A., Fuhrer, R., Shipley, M. J., & Marmot, M. G. (1999). Work characteristics predict psychiatric disorder: prospective results from the Whitehall II Study. Occupational and environmental medicine, 56(5), 302-307.

Wang, J. (2005). Work stress as a risk factor for major depressive episode(s). Psychol Med, 35(6), 865-871.

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