Cuidador Informal

Celebrando ainda o 5 de Novembro, dia do Cuidador Informal (CI) é importante refletir sobre o cuidador informal e sobre o papel do mesmo.

O processo de prestação de cuidados é um processo complexo e dinâmico, caracterizado por constantes variações, ao longo do tempo, nas necessidades e sentimentos de quem recebe os cuidados e de quem presta cuidados, em função da própria evolução da doença e da situação de dependência, do contexto familiar e da fase do ciclo familiar, das redes de apoio social, dos sistemas de crenças e, fundamentalmente, de como o CI perceciona todos esses fatores (Santos, 2008; Salgueiro, 2006).

Cuidar é manter a vida garantindo a satisfação de um conjunto de necessidades a ela indispensáveis, mas que são diversificadas na sua manifestação (Silva, 2011). Para Cuidar é necessário reconhecer que o indivíduo é um todo, na sua fase da doença ou dependência. É a busca de uma abertura de espírito e tolerância, de calor humano, de autenticidade, de respeito, com o objetivo de construção de uma relação de confiança e segurança respeitando as escolhas do doente (Silva, 2011). É assisti-lo na satisfação das suas atividades básicas de vida diária, é aceitá-lo sem julgamentos. É manter a esperança e ajudá-lo a encontrar as suas próprias opções de vida (Grelha, 2009).

O impacto do papel de CI tem aspetos positivos, como o sentimento da reciprocidade, de dever cumprido, de crescimento pessoal, mas também aspetos negativos, como a vivência da sobrecarga, o risco de pobreza e isolamento social, com consequências na saúde e na qualidade de vida.

O papel do CI tem assim repercussões ao nível da vida pessoal, familiar, laboral e social dos cuidadores informais, tornando-os mais vulneráveis a conflitos. Com frequência entram em crise, apresentando sintomas como: tensão, fadiga, stress, constrangimento, frustração, redução do convívio, depressão, redução da autoestima, entre outros.

A exposição prolongada de eventos desencadeadores de stress no cuidar pode afetar a sua saúde mental (Awad & Voruganti, 2008), comprometendo assim a qualidade dos cuidados, a qualidade de vida quer dos CI como da pessoa que recebe os seus cuidados. Em última instância, o comprometimento da sua saúde física e/ou mental pode conduzir à institucionalização precoce – contribuindo para a sobrecarga dos sistemas sociais e de saúde, estando mesmo descritos negligência e maus tratos por parte de CI sobrecarregados.

 

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Citação:

Awad, A. G., & Voruganti, L. N. (2008). The burden of schizophrenia on caregivers: A review. Pharmacoeconomics, 26,149 – 16.

Silva, J. M. O. N. 2011. Sintomatologia psiquiátrica do cuidador informal. Escola superior de enfermagem do porto. Tese de mestrado

Salgueiro, H. 2006. Dinâmica, saúde e qualidade de vida na família do idoso dependente. Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa. Lisboa : s.n., 2006. Tese de Mestrado.

Santos, D. I. F. A. 2008. As vivências do cuidador informal na prestação de cuidados ao idoso dependente – Um estudo no concelho da Lourinhã. Universidade Aberta. Lisboa : s.n., 2008. Tese de Mestrado.

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